Em meio à crise econômica que castiga boa parte das cidades fluminenses, muitas delas extremamente dependentes dos royalties do petróleo, parece que Deus tem sido bonzinho com São Pedro. Com cerca de 100 mil habitantes e economia antes voltada para a pesca, São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos, tem conseguido se destacar em um cenário de recessão. Em pouco mais de um ano, a prefeitura deixou de ser a principal empregadora da cidade, que passou a atrair grandes e médios empreendimentos, alavancando 1,8 mil empregos diretos.

Para o ano que vem, espera receber três grandes empreendimentos que, juntos, devem gerar mais de 1,2 mil novas oportunidades de trabalho para moradores locais. O Supermercado Costa Azul é um deles. Deve abrir em março e gerar cerca de 330 empregos diretos em sua nova unidade, que já iniciou as obras.

Outras duas empresas, fugindo dos grandes engarramentos na vizinha Cabo Frio, especialmente no verão, optaram pelo novo endereço: a Boi Bom (frigorífico Mayara), que deve abrir 600 vagas, e a Itaipava, que empregará mais de 300 trabalhadores em sua distribuidora de bebidas para todo o estado.

“Antes as pessoas procuraram a prefeitura para pedir emprego, agora a cidade tem outras oportunidades”, conta o prefeito Cláudio Chumbinho (PMDB). Ele ainda se orgulha de ter trazido o Atacadão (supermercado do grupo Carrefour) e a Pepsico (outra rede atacadista), além da primeira Havan do estado, loja de departamentos que tem como símbolo uma imponente Estátua da Liberdade. Um sinal dos novos tempos na cidade outrora pobre e sem alternativas econômicas.

Além de criar um polo industrial, a cidade instalou o que chama de polo automotivo. Com a oferta de isenção de IPTU por cinco anos, atraiu as concessionárias Fiat, Renault e Nissan e agora espera a Hyundai. “São Pedro é o centro da Região dos Lagos, com fácil acesso para todas as cidades. Aqui é o melhor lugar para se instalar uma empresa, pelas facilidades logísticas”, diz Chumbinho.

Poucos recursos do petróleo

Um desafio para o prefeito tem sido administrar um orçamento muito pequeno, perto dos vizinhos de Arraial do Cabo, Armação dos Búzios e Cabo Frio, que sempre teve a receita turbinada pelas verbas do petróleo. São Pedro recebe de R$ 600 mil a R$ 700 mil, mais de 10 vezes menos que Cabo Frio, em torno de R$ 8 milhões.

“A saída tem sido aumentar a arrecadação própria com IPTU, ISS e ITBI. E tudo isso graças à nossa nova política de desenvolvimento econômico”, orgulha-se o prefeito, que criou uma secretaria com esta finalidade. Com a crise internacional do petróleo, a cidade teve que adiar o sonho de atrair empresas do setor: a multinacional italiana Remu, que já tinha área para se instalar, recuou diante do cenário complicado no Brasil.

Corte na folha e concursados

Chumbinho assumiu a cidade com uma dívida de R$ 80 milhões, atribuída a gestões anteriores. Em dezembro passado, diante da queda no repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), ele começou a cortar custos. A folha de pagamento, que custava R$ 8,3 milhões, hoje não passa de R$ 6 milhões, com 3,6 mil servidores. “Lançamos concurso público, que não tinha há 10 anos. Hoje, estamos dentro do limite da Lei de Responsabilidade Fiscal e fizemos um pacto com TCE (Tribunal de Contas do Estado) para chamar os concursados”.

Com a crise, a prefeitura passou a melhorar a arrecadação de recursos próprios, fazendo um recadastramento dos imóveis e incentivando a atração de novas empresas. A previsão este ano é fechar em R$ 200 milhões. “Incentivamos também a população a pagar impostos para investir em limpeza, saneamento, educação e saúde.

Com isso, reformamos 29 escolas, inauguramos três e estamos construindo mais três, além de quadras poliesportivas. Agora vou licitar cinco novas creches”, enumera. 

Na saúde,reabriu o pronto socorro e construiu oito novos postos, com apoio do governo federal, além de concluir a UPA, mantida pelo governo estadual. A cidade ganhou o serviço ‘Alô Cidadão’, via whatsaspp (22 9991-9454).

Fonte/texto: http://odia.ig.com.br/odiaestado/2015-10-18/sao-pedro-da-aldeia-na-contramao-da-crise.html