ORÇAMENTO
No início do mês, o orçamento de 2016 foi apresentado pelo governo. O valor estimado é de 1,244 bilhão de reais, um aumento de 2,29% em comparação a este ano. Uma grande conquista, já que, devido a crise política e econômica do país, muitos municípios estão tendo seu orçamento reduzido. Porém, vale destacar que apenas 300 milhões, aproximadamente, são da chamada Fonte 00 - Recursos Próprios, ou seja, cerca de 24,11%. Um valor muito aquém para um município com 1,100 milhão de habitantes. O restante é proveniente dos governos estadual e federal.

Em 2016, a área da saúde terá um orçamento de 361 milhões, 2,44% menor do que este ano. O orçamento menor está principalmente ligado à diminuição dos repasses federais. Lembrando que diversas Unidades Básicas de Saúde - UBS, vem sofrendo com a falta de estrutura, materiais e pessoal. A secretaria de educação também sofreu os impactos da crise e teve seu orçamento reduzido em 25 milhões, ou 8,92%. Com isso, não há qualquer indicação de que nossa cidade respeitará a legislação e pagará o piso nacional aos professores concursados.

A secretaria de obras foi a que teve o aumento mais expressivo, saltando de 243 milhões para 264 milhões, representando 8,64% a mais. Este aumento é estratégico para a continuação do governo Mulim, já que no período pré-campanha é que as grandes obras são inciadas ou concluídas, aumentando o apoio popular ao governo. O destaque fica para a limpeza urbana, que terá 80 milhões para administração.

A segurança pública também teve um grande corte para o ano que vem. Se em 2015 a secretaria contou com 30 milhões, em 2016 contará com 21 milhões, uma perda de 30%. Além disso, a partir de 2016, a secretaria estará responsável pela Defesa Civil. A cultura teve um aumento irrisório de 1 mil reais, com 1,216 milhão, sendo 960 mil para pagamento da folha. A secretaria do idoso terá a seu dispor 3,200 milhões, 30% a mais. O desenvolvimento econômico terá cerca de 1 milhão e o meio ambiente 2 milhões.

Tais dados mostram a total falta de compromisso do governo com áreas como saúde, educação e cultura, focando-se apenas em inaugurar obras visando a reeleição no ano que vem.

SOBRE A AUDIÊNCIA 'PÚBLICA'
Nos dias 3, 6 e 10 de novembro, ocorreram as três audiências públicas para discussão do orçamento do ano que vem. Estive presente apenas na última, mas apresentarei aqui minhas impressões sobre. Nesta audiência, estiveram presentes os vereadores Gilson do CEFEN, presidente da audiência; Diego São Paio; Lecinho Breda, líder do governo; e Jorge Mariola. Além destes, estiveram presentes os secretários Ricardo Hardoim, Tânia Soares, Cel. Adilson, Carlos Ney e Arthur Belmonte.

Um ponto muito importante a ressaltar é que o poder público gonçalense insiste em não divulgar uma audiência tão importante. Apesar de ter sido publicado em Diário Oficial, o evento teve uma mínima participação devido a falta de divulgação nas grandes mídias e nas redes sociais. Nem mesmo jornalistas ou representantes do funcionalismo público estiveram presentes, até mesmo aqueles que, de maneira oportunista, solicitam o impeachment do prefeito Mulim.

Porém, o destaque negativo fica mesmo para os vereadores. Dos 27 representantes do povo na Câmara, apenas 4 estiveram presentes. O líder da oposição e pré-candidato a prefeito, Marlos Costa, passou longe da audiência, demonstrando os limites de seu discurso oposicionista, possivelmente com receio de se indispor com os secretários, com os quais vem se articulando politicamente. Entre os presentes, Gilson do CEFEN conduziu muito bem os trabalhos; Diego São Paio foi voz ativa, questionando os secretários presentes sobre suas atuações; já Lecinho e Mariola fizeram a defesa do governo, mostrando as dificuldades orçamentárias.

Ao final, tudo manteve-se como de início: o orçamento foi apresentado simplesmente por uma obrigação, sem qualquer expectativa de alteração ou de participação da sociedade. A falta dos principais secretários e da maioria dos vereadores também ilustra o cenário que teremos para 2016: desdém, indiferença e incapacidade técnica.

O texto é de Matheus Guimarães, que esteve presente nas audiências públicas e nos permitiu usar de seus textos.