Texto de Matheus Guimarães mostra as possíveis mudanças
no cenário político para a disputa de São Gonçalo
com a chamada 'janela da infidelidade'. 

Foto: Claudionei Abreu/ A política RJ
Por Matheus Guimarães (Assessoria Nativa) 

A reforma política aprovada pelo Congresso e sancionada em setembro do ano passado criou a chamada "janela da infidelidade", onde qualquer parlamentar em exercício [vereador, deputado ou senador] poderá trocar de partido sem que haja qualquer impedimento legal.

Com isso, o tabuleiro político está mudando e vai influenciar diretamente as disputas municipais deste ano. Até agora, nenhuma grande figura mudou de legenda, mas o chamado" baixo clero " [deputados sem expressão no Congresso] está transferindo-se de legenda, modificando o tempo de TV e o fundo partidário para a disputa municipal [vale lembrar que o tempo de TV e o fundo partidário este ano, serão divididos da seguinte maneira: 10% divididos igualmente entre todos os candidatos e 90% proporcionalmente as bancadas no Congresso Nacional]. 

Vamos ver algumas mudanças e o que elas modificam no cenário da disputa a Prefeitura de São Gonçalo: o PT foi o principal partido afetado negativamente pela janela, perdendo 6 deputados até o momento. O partido em São Gonçalo deverá apoiar o mesmo candidato que o PMDB [podendo ser Nanci, Brizola ou Mulim]. Já o PTN é o partido que vem beneficiando-se da janela, agregando 5 deputados e com a expectativa de atrair mais [a explicação está no fato de que Eduardo Cunha está inchando o partido com deputados contrários a presidente Dilma, mas que estavam em partidos da base aliada]. O presidente municipal do PTN, vereador Maciel, já afirmou em entrevista recente que o partido irá caminhar com o prefeito Mulim nas próximas eleições.

Dois, dos três partidos fundados no ano passado [NOVO, REDE e PMB] já possuem representação na Câmara dos Deputados. A REDE já conta com 5 deputados, com a expectativa de chegar a 9 até o final da janela. Já o PMB, que teve um início empolgante, chegando a ter 22 deputados, hoje conta com 16 e a tendência é que esvazie-se chegando a uma bancada com 10 deputados. Desses dois, apenas a REDE possui representação no município, já tendo anunciado que terá uma candidatura própria em coligação com os partidos pequenos da cidade.

A chapa de Marlos Costa [PSB/PSD] consegui adquirir mais 3 deputados, contribuindo para o fortalecimento da candidatura do mesmo. Já Dejorge, contando apenas com o PRTB, vai construindo uma candidatura com pouco apoio e recursos, abrindo a possibilidade de desistência da disputa. O candidato do PDT também vai vendo sua base sendo diminuída a nível nacional. Os 3 partidos que giram em torno desta candidatura [PDT, DEM e PCdoB], perderam 5 representantes na Câmara.

As pré-candidaturas de Nanci (PPS), Josemar (PSOL) e Dilson Drummond (PSDB) não foram influenciadas pelo troca-troca partidário e seguem fortes na disputa. Nanci deverá contar com a máquina do PMDB e o apoio de três dos quatro maiores partidos do Brasil [PMDB, PT e PP]. 
Texto de Matheus Guimarães, de Assessoria Nativa

Josemar segue na disputa representando a esquerda gonçalense, almejando superar os quase 5% do último pleito. Dilson Drummond chega ao PSDB influenciado pela estrutura da legenda [terceira maior do Brasil] e pela onda antipetista que toma conta das discussões políticas.

Sendo assim, até 18 de março [data final da janela de transferências], os partidos gonçalenses deverão estar atentos as movimentações em Brasília e que devem influenciar diretamente em nosso processo eleitoral. A expectativa é grande também para acompanhar as transferências a nível estadual e municipal, ampliando ou reduzindo o leque de possíveis alianças no pleito de outubro.