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Insatisfeitos com a precariedade em que estão as escolas da rede estadual de ensino, estudantes de São Gonçalo estão indo às ruas para protestar por melhores condições de estudo e qualidade na educação. As manifestações também apoiam os professores da rede, que iniciaram greve na última quarta-feira. Os movimentos começaram ontem, em algumas escolas, mas há outros previstos para hoje e para a próxima semana. 

Ontem, cerca de 200 alunos do Ciep 122 – Professora Ermezinda Dionizio Necco, localizado em Jardim Miriambi, caminharam até a Praça do Bandeirantes reivindicando reformas, uniformes e alimentação adequada. “Não queremos perder por não ter lutado. Por isso, hoje (ontem) viemos aqui lutar pelo nosso futuro. Lutar pela nossa educação”, contou o estudante Danka Pimentel, de 17 anos. Com cartazes com inscrições em alusão de que os alunos devem lutar pela educação de qualidade, eles cantavam que não iriam parar até o governo pagar as verbas devidas.

“A diretora está pegando merenda escolar fiado para que nós não fiquemos sem. As carteiras foram doadas por outras escolas. Nem verba para manutenção, o Estado está repassando. O marido da diretora e os estudantes estão realizando as reformas voluntariamente”, disse Eduarda dos Santos, 17.

Os protestos também incluíram cobranças pelo uniforme escolar, que desde o ano passado não está sendo distribuído, e a falta de alguns funcionários. “Não temos porteiro e nem uniforme. Agora, o próprio aluno tem que comprar o que é de direito receber gratuitamente. Eles conseguem fazer Olimpíadas, mas não fazem nada pela educação”, declarou Paula Raíssa Barbosa, 17.

Sem energia – No Colégio Estadual Augusto Cezario Diaz Andre, no Pacheco, os alunos estão sem aulas desde o último dia 25 de fevereiro, antes dos professores terem iniciado a greve. O motivo é a falta de energia. “A escola está sem luz desde quinta-feira da semana passada (25). A Ampla fez reparos na rede externa e a escola precisa fazer reparos na rede interna. Para isso, o governo precisa fazer o pagamento da verba de manutenção para a escola conseguir realizar o serviço, o que não aconteceu até agora”, contou a professora de geografia, Janaína Braga, 38.

Os professores também questionaram o posicionamento da Secretaria de Educação, que declarou que os professores estão prejudicando os alunos realizando a greve. “Eles não tomaram providência. O governo diz que somos nós que prejudicamos nossos alunos por causa da greve, mas eles não resolvem o problema da falta de luz. Nosso grande questionamento é: quem realmente está prejudicando os alunos?”, indagou a professora de português Nilcevânia Lopes, 53. 

Os pais dos estudantes também fizeram reivindicações. “A escola também está com o telefone ruim. Então, eles (os alunos) precisam ir até o colégio todos os dias para saber se terão ou não aulas. Minha filha está no terceiro ano e sendo prejudicada por causa da falta das aulas”, disse a dona de casa Márcia Azevedo, 50.

Sepe – De acordo com o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), cerca de 70% dos professores aderiram a greve, que irá perdurar até um posicionamento do governo. “Cinco mil professores estiveram na Fundição Progresso na assembleia que decidiu o início da greve. Hoje, teremos uma reunião do comando de greve, às 17h, no Sepe de São Gonçalo e também iremos visitar as escolas do município para analisarmos as questões de reformas”, explicou a diretora do Sepe São Gonçalo, Dayse Oliveira.

Manifestações continuam nos próximos dias 
Estudantes prometem manifestações pela cidade em apoio aos professores, que reivindicam melhores condições de trabalho, aumento e pagamento do 13º salário, entre outros itens. Hoje, estudantes do Ciep 409 - Alaide de Figueredo Santos, no Coelho, farão ato em frente a escola em apoio aos professores, às 10h. 

Na segunda, alunos do Ciep Waldemar Zarro e do Colégio Estadual Padre Manoel da Nóbrega, ambos no Boa Vista, vão seguir das escolas, a partir das 11h, em passeata até a Praça Luiz Palmier, no Rodo. 

No mesmo dia, às 14h, terá concentração de várias unidades de ensino em frente ao Colégio Estadual Adino Xavier, no Mutondo. Estudantes das escolas estaduais Ferreira Pinto, em Vila Três; Ciep 122, em Jardim Miriambi e Pandiá Calógeras, Alcântara, já confirmaram presença.

Estado – Em nota, a Secretaria de Estado de Educação informou que lamenta a decisão do Sepe de ter iniciado a greve. Segundo a secretaria, no dia 2, a adesão ao movimento foi de 3% do total de 82 mil servidores da rede estadual.

Ainda a secretaria, as soluções para as demandas apresentadas pelo Sepe não dependem exclusivamente da Seeduc. O governo do estado editou o novo calendário de pagamento do servidor – até o sétimo dia útil do mês – para se adequar à drástica queda na arrecadação de receitas. Em relação ao 13° salário, já foram pagos cerca de 70% do total.

Já o projeto de lei com mudanças previdenciárias encaminhado à Assembleia Legislativa é uma das medidas para sanar, em caráter definitivo, o déficit da previdência.