Fabiano Gonçalves faz balanço a frete da Secretaria de 
Desenvolvimento Econômico de Niterói.
Foto: O Fluminense 
O Secretário de Desenvolvimento Econômico de Niterói, Fabiano Gonçalves, cedeu uma entrevista ao blog A política RJ, onde mostra o trabalho que fez à frente da pasta. 

O secretário, que também é presidente da Câmara de Dirigentes e Lojistas (CDL) de Niterói, comenta um pouco sobre a evolução na área econômica da cidade e mostra como as obras realizas pelo governo vão trazer benefícios econômicos, além de outros diversos temas. Confira! 

A política RJ: Quem é Fabiano Gonçalves?

Fabiano Gonçalves: Fabiano Gonçalves é um morador de Niterói, nascido na casa de saúde Santa Marta, 41 anos de idade, casado, pai de um casal de filhos, formado em economia, pós-graduado em engenharia econômica, nas defendi a minha tese mas também em economia aplicada. Atualmente secretário de Desenvolvimento do município de Niterói, Presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Niterói (CDL), uma entidade que defende o interesse, não só do comércio, mas setor de serviço. Estou também como vice-presidente da federação de lojistas, e por conta desta militância, fui convidado a participar dessa política partidária, até 2012 o meu papel era como empresário do setor de varejo, e eu participava da política classista. Atualmente, além de atual na política classista, eu atuo na política partidária sendo vice-presidente do diretório municipal do PSD.

Qual foi a sua maior dificuldade assim que você começou a sua administração?

Quando nos fomos chamados pelo Prefeito Rodrigo Neves para participar do governo como Secretário, a maior dificuldade foi que na gestão anterior essa secretaria foi renegada, não tinha estrutura física, quantitativo de pessoal enorme, poucas pessoas de forma efetiva, e nenhum projeto em andamento. Nos tivemos que praticamente recriar uma secretaria desenvolvimento econômico e que por conta da proposta do governo de enxugamento da máquina pública, ela acabou acoplando a secretaria de defesa do consumidor, que virou uma diretoria, a secretaria de industria naval, que virou uma diretoria, e a secretaria de aquicultura e pesca. Então a secretaria de desenvolvimento econômico então eram quatro secretarias, a nossa batuta é hoje como uma única secretaria. 

Um dos seus desafios no inicio do governo era trazer a casa do empreendedor para Niterói, projeto que já foi implantado na cidade. Como funciona esse serviço? 

Esse projeto, na minha concepção é o mais significativo. Nós sonhamos esse projeto desde sua concepção, desde o embrião. A casa do empreendedor de Niterói é um local no Shopping Bay Markert, 2º piso, ao lado da loja C&A, onde o munícipe entra pessoa física, e se quiser se formalizar em pessoa jurídica ou microempreendedor individual e constituir uma micro empresa ou de pequeno porte, ele vai ter total apoio para construir seu negócio em Niterói. E o legal é que esse evento que foi inaugurado agora, 21/01/2015, ele começou no dia 06/04/2013, quando a gente fez o 'empresa bacana', entre o Shopping e o terminal rodoviário, e ali, numa tenda do Sebrae em parceria com a Prefeitura que idealizamos esse projeto. Mas demorou três anos para ele ser implanto de forma permanente. Não há papel, todos os processos são feitos virtualmente de acordo com o sistema do estado do Rio de Janeiro que é o Regin - Registro de Informações do Estado. 

Como que esse projeto contribui para evolução da cidade?

É simples! Em um momento em que o Brasil passa por uma das maiores crises e recessões da sua recente história, nós já temos mais de 800 atendimentos na casa do empreendedor, pessoas que querem se formalizar ou que já é mas não tem alvará e não consegue emitir nota fiscal, e nos já temos mais de 400 empresas abertas em um mês. Cada empresa dessa, se contratar um empregado, nós já temos 800 pessoas realocadas no mercado de trabalho. Isso é um advento muito necessário e restrito na atual conjuntura. 

O que a TransOceânica representa para a economia de Niterói? 

A TransOceânica não representa só para a economia, mas para o todo da cidade. Por que a TransOceânica ela muda o eixo da cidade, o eixo de desenvolvimento da cidade. A cidade tinha, na década de 50, 40, um adensamento na região central e não região próximo à zona norte, principalmente em Fonseca. Já na década de 70 foi a parte de Icaraí, Ingá, que houve desenvolvimento e nos anos 90, 2000, houve uma migração para a região Oceânica, que eram pessoas que queriam morar em casa, que foi o meu caso, eu também fui morar lá, tanto na região de Pendotiba quanto na região Oceânica, por quê tinha possibilidade das unidades unifamiliares. O que aconteceu foi que a região teve um crescimento quantitativo de imóveis mas não houve um adensamento de população, principalmente no transporte. O transporte da região oceânica é muito precário, até hoje, e com a TransOceânica isso vai mudar. Eu morei lá por onze anos, então eu tenho muita propriedade, tive loja na região oceânica, e é um comércio muito diferente dos outros pontos da cidade. É um comércio que se fizer sol, ninguém para pois vai para praia, se chover ninguém sai de casa e vai para o shopping. Então a região tinha um agravante, pois o conceito dela era Estrada Francisco da Cruz Nunes, e pedestre não anda em estrada, anda em ruas e avenidas. Isso vai ser mudado na região oceânica, o conceito de estrada fica para o passado, e o novo conceito de avenida é reconstruído. Principalmente agora com o BHL's, que são ônibus que, diferente do BRT, que não são articulados e só podem andar em uma via, o BHL's é mais condensado, então pode pegar as vias auxiliares e secundárias, e você tem menos transbordo de passageiros. Então eu acredito muito no desenvolvimento da região oceânica com advento da melhoria da mobilidade. 

E as obras da nova Moreira César, em Icaraí? Você afirmou que isso traria muitos benefícios para a cidade. Como isso contribui para o desenvolvimento da economia?

Ta aí um projeto que eu tenho maior carinho e apreço, pois participei da concepção do projeto. Esse projeto é de 2008, sonhado pelo então presidente do SindLojas, o Robson Gouveia, projetado pelo arquiteto Bruno Gouveia, ambos à época moradores de Niterói, e havia o interesse de fazer um único quarteirão, e quando o Prefeito Rodrigo Neves ganhou, fui convidado a participar de uma reunião com ele e com o Robson Gouveia, com Bruno Madeira, Axel Grael, onde se colocou a importância desse projeto, só que esse projeto era para um quarteirão, então precisa expandir para os dez quarteirões da Moreira César, e pela nossa proximidade, junto com o deputado Sérgio Zveiter, conseguimos recursos de emendas parlamentares em 2013 e 2014, para viabilizar este projeto. É uma obra dificílima, muito complexa, pois temos vinte mil e quinhentos moradores em um trecho de um quilômetros e trinta metros, mais de 10 mil pessoas trabalhando no comércio local, então vai trazer desenvolvimento pois potencializa o conceito da andabilidade, que é o que falta na região oceânica. Então se você tem calçadas mais largas, um mobiliário urbano mais preparado, principalmente para o idoso e para pessoas com necessidades especiais, uma via com uma infraestrutura de fibra ótica nova, você tem uma estabilidade na infraestrutura, mais estável, e isso aí permite você potencializar novos negócios. Quando você for na rua, você vai ter câmera, sistema de wi-fi, fios submersos, então a possibilidade de queda de luz em um dia de chuva vai ser muito menor. Só que tem muita gente que acha que isso se faz em um estalar de dedos, e tem muita critica sobre esse projeto, pois as pessoas querem o negocio resolvido, só que a Moreira César não pode ser feita em uma obra como se é feita a TransOceânica em grande escala, ela tem de ser feita de passo em passo, pois o impacto no cotidiano das pessoas vai ser grande, e por quarterão. Então ela deve ser feita com muito cuidado, e a empresa contratada tem tido muitos problemas pois é uma obra onerosa para eles, e primeiro que não para de circular pessoas, e você não pode impedir as pessoas de circularem, então está se reestruturando a forma de potencializar a obra, e eu tô plenamente convicto que é uma obra que traz investimentos, até porquê já valorizou os pontos comerciais dali. 

Essa obra na Moreira César não trouxe só benefícios econômicos para a região, trouxe também postos de trabalho, desenvolvimento e evolução em outras diversas áreas. Por que atrair uma obra desse porte para Icaraí, que fica no zonal sul, e não atrair e levar esses investimentos para outros bairros? 

Quero te elogiar por essa pergunta, pois ela nos dá o direito de defesa. As pessoas acham que o Prefeito está fazendo na Moreira César e não em outras áreas da cidade, e pelo contrário, talvez a região que menos recebeu investimentos por parte do governo municipal foi a região da praia da baía e especificamente Icaraí. Temos quase R$300 milhões sendo investidos no túnel Charitas-Cafubá, temos hoje toda a drenagem, pavimentação e dragagem da região ali do Cafubá, Santo Antonio, Maravista, Soter, na região Oceânica, Você tem na zona norte investimentos feitos em escolas, UMEI's - Unidades Municipais de Educação Infantil, e em Icaraí essa é um obra de grande impacto. Lembrando que o recurso municipal para essa obra é muito pequeno, é uma contra partida com o governo federal de reurbanização, então não tem outro viés para aplicar o dinheiro dessa emenda parlamentar que não seja na urbanização. Para que esse projeto fosse aprovado pela Caixa Econômica  o Ministério das Cidades, nós tivemos que fazer uma grande defesa dele. Aí explica-se porquê foi escolhida na Moreira César, que é pelo potencial da população, no entorno vinte mil e quinhentas famílias famílias, em um quilometro e trinta metros. Qual outro trecho de Niterói teria um apelo desse? Não que pessoas de outras regiões não precisem, o governo é para todos, mas a região de Icaraí também precisa de investimentos. Quando eu cheguei no governo em 2012 a Moreira César era tomada por camelôs, o comércio reclamava muito, e nós como defensores de classe eramos muito cobrados, pois era uma verdadeira desordem urbana, e hoje você passa pela Moreira César e tem, no mínimo, uma rua melhor para circular. Nosso interesse é que seja uma rua modelo. Isso deve ser ao longo do tempo replicada pra outros trechos da cidade, mas deve-se ter capacidade para buscar a fundo o dinheiro. 

De acordo com uma matéria que saiu no Jornal O Fluminense, assim que você assumiu a sua secretaria, uma das suas diretrizes seria a formalização da indústria naval na cidade, enfatizando que hoje somente 10% dos trabalhadores trabalham em estaleiros na cidade de Niterói. O Plano seria trabalhar para ampliar o número de escolas técnicas especialidades na formação de mão de obra. Como está o andamento deste projeto?

Bem, a pasta da industria naval ficava conosco, depois ela foi desmembrada e quem assumiu foi um grande amigo meu, o Luiz Paulino Moreira Leite. A gente tem uma transversalidade muito grande, e de fato a  realidade da industria naval, hoje, é muito diferente de 2013 e com essa crise da Petrobras, que era a única cliente, digamos assim, do nosso Closter de empresas da industria naval, e hoje as empresas estão passando por sérias dificuldades e hoje esse percentual não seja nem 10%, tende a 1%, talvez hoje o quantitativo de trabalhadores da industria naval, à época, se resume a 10%, e Niterói tenha de empregabilidade ai, com esses 10% remanescentes, nosso percentual de participação aumento, porque ai eram os quadros técnicos, eram os diretores, gerentes, técnicos, então pode ser que esse percentual hoje, na realidade atual aumentou, mas por que a massa trabalhadora reduziu muito, mas nós continuamos agindo. Prova disso é que tomei posse como conselheiro do CAP - Conselho de Autoridade Portuária, que foi um grande advento que consegui fazer na cidade de Niterói que vai ser para as futuras gerações, pois agora a gente passa a discutir a política de navegabilidade, de fundeio, do porto de Niterói, dentro desse expecto. Falando de educação, nos trouxemos para Niterói o IFRJ, que está sendo construído ali no Sapê, que é o Instituto Federal do Rio de Janeiro, que foi muito desejado, e nos conseguimos realizar. As obras já estão em fase de andamento, e a empresa que ganhou é a Engeprat, que está fazendo as obras do Colégio Pedro II, então tem propriedade do que está fazendo, e eu tô muito feliz, pois é mais um legado que vai ficar para nossa geração. 

Quais foram outros projetos desenvolvidos pela secretaria?

Um projeto que eu acho que tem grande relevância foi a abertura da Rua Visconde de Uruguai. A Visconde de Uruguai tinha muito trânsito, então você tinha uma artéria entupida no centro de Niterói, que fazia um congestionamento diário e intenso na Marechal Deodoro e na Barão de Amazonas, então a gente conseguiu provar, e o Prefeito nos deu esse projeto com 100 dias, nos primeiros cem dias de governo, que foi a abertura da Visconde de Uruguai para o trânsito de carro. Isso aí foi um reacendimento no comércio daquela região que estava morrendo. A instauração da junta comercial. Quando eu nasci em 1974 a junta comercial estava indo embora de Niterói e a gente trouxe a delegacia para o Shopping Bay Market 2º piso. Nós conseguimos também, não como secretário, mas como presidente da CDL logo no finalzinho de 2012 a criação do posto de passaporte da polícia federal aqui no Niterói Shopping e já tivemos mais de cem mil atendimentos nesses 4 anos de operação. Outro projeto importante foi mercado popular do Largo da Batalha, onde aquelas pessoas que estavam ali há mais de 40 anos na calçada, foi traumático, mas  a gente conseguiu fazer o projeto calçada livre, alocamos para um equipamento temporário e conseguimos entregar ali o equipamento definitivo. Precisa de ajustes pois o mercado também foi inaugurado neste momento de grande crise econômica no Brasil, então isso é um agravante para todos. E a Leia de Hotéis, que eu participei diretamente, que foi incentivar a atividade hoteleira e o setor de serviço é o que tem se potencializado pois traz investimentos para a cidade, empregabilidade, geração de ISS (Imposto Sobre Serviço - pago ao município) e um desenvolvimento de uma cadeia de suprimentos desse serviço. Tivemos vários outros projetos também, o Pronatec, empresa bacana, atividades na área pesqueira, nos fizemos por dois anos consecutivos a qualificação dos pescadores de Jurujuba, na semana do peixe nos distribuímos três toneladas de peixe em um único dia, em sete comunidade, e aquilo ali me marcou, e você vê que o peixe, apesar de ser muito comum em Niterói, ele é pouco acessível às pessoas de baixa renda. 

Na sua opinião qual é o projeto mais importante?

A casa do empreendedor, sem sombra de dúvida. Pois ele envolveu sete secretarias e o Sebrae. Nos tivemos que mudar a lei municipal que permitisse esse alvará rápido. Foi uma iniciativa que demorou três anos para sua conclusão. Tivemos que quebrar muitos paradigmas para realizar isso, mas a população está se absorvendo desse sonho. 

Quais projetos que você gostaria de implantar na cidade mas que não teve a oportunidade?

Olha, Niterói é uma cidade que eu posso dizer que é diferenciada em relação a outras cidades. Eu tenho no meu coração um desejo muito forte de que as pessoas possam ter um local onde elas possam comercializar de forma embrionária, um mercado popular, que é o projeto da nossa secretaria. Seria como uma encubadora ou uma aceleradora de pequenos que se tornaram grandes negócios. A minha ideia é ter um local, e esse local já temos, e hoje eu tive a resposta da procuradoria de que esse local é próprio da Prefeitura, então nada mas nos impede, é criar esse local público para que esse pessoa que fosse um artesão, um inovador, pudesse ir ali e expor as suas ideias, antes dele ser empregado de alguém, propor algo para pessoas que estejam dispostas a investir em novas iniciativas e novos negócios, e principalmente no terceiro setor, que nós criássemos uma lei municipal para micro e pequenas empresas para incentivar o terceiro setor. Pois hoje o terceiro setor, que é a sociedade civil organizada, ficam restritas as empresas de lucro real. E tem muita restrição. Então o meu sonho é que a gente possa fazer uma lei municipal para incentivar o esporte. Nós não temos nenhum ginásio público, temos um Caio Martins fechado. Eu sonho em termos um ginásio público municipal para que várias modalidades esportivas sejam praticadas. 

Qual balanço você faz a frente da secretaria?

Eu digo para você que não foi meu mérito, mas a equipe que nos formamos. Pessoas dedicadas, pessoas técnicas, tenho uma subsecretária Lindalva muito técnica, que nos ensinou muito. Pois eu venho da iniciativa privada, o meu vice-presidente na CDL também, aceitou o desafio, teve uma performa maravilhosa, a junta comercial, a casa do empreendedor o mercado do largo da batalha, ele tocou, eu só abri portas. O quadro técnico técnico da secretária tem pessoas simples, salário muito modesto, mas com empenho enorme. Mas, nos tínhamos sempre foco. A maior virtude do Prefeito Rodrigo Neves, do vice-Prefeito Axel Grael e só Secretários é a transversalidade, nos conseguimos nos falar, nos ajudarmos, em prol de projeto que seja para o coletivo. Nos primeiros meses foram reuniões mensais com os secretários, depois tornaram-se bimestrais, e nessas reuniões antes de começar nós resolvemos diversos impasses. Isso é uma coisa que eu considero o maior ganho, que foi uma equipe técnica, uma equipe coesa e um foco. Todo ano nós temos cinco metas, uma meta fiscal, administrativa e três metas finalísticas, e a gente sabe justamente o que tem que fazer, claro que não nos prendemos às cinco, mas nós temos que prestar conta das cinco nossas. 

- Na oportunidade, Fabiano ainda comentou sobre a sua gestão na Presidência da CDL, assuntos do Governo do Prefeito Rodrigo Neves e sobre sua candidatura ao Legislativo de Niterói. As outras entrevistas serão postadas em breve aqui no nosso blog.