Foto: Marcos Vieira
Cerca de 500 manifestantes fecharam a Rua Feliciano Sodré, em frente a prefeitura, para reivindicar a permanência e regularização da ocupação dos Condomínios Residencias Parque das Araras e Parque dos Bem-Te-Vis, do Programa Minha Casa Minha Vida, no Jóquei. Além dos ocupantes, funcionários da rede municipal de ensino protestavam por aumento de salário de merendeiros e inspetores das instituições municipais.

A manifestação pacífica, começou por volta às 14h e terminou após às 18h . Durante a ação, apenas uma das faixas da via foi liberada para tráfego de veículos, o que causou lentidão no trânsito. Representantes do movimento foram recebidos pela prefeitura, onde ficou decidido que equipes das secretarias de Desenvolvimento Social e de Saúde irão a partir de amanhã (06) cadastrar as famílias e oferecer atendimento médico aos desabrigados. A Guarda Municipal e policiais do 7ª Batalhão acompanharam toda ação. 

Uma das alojadas no complexo residencial, Jayene Campos Vicente, mãe de três crianças pequenas, esclareceu o objetivo da ação.

"Nós não somos marginais, estamos aqui para fazer um acordo com a prefeitura para permanecer nos apartamentos, porque não temos para onde ir. E a maioria que está aqui tem cadastro no Programa Minha Casa, Minha Vida. Não tem como mais de 4 mil pessoas saírem de lá em três dias, para onde vamos? Tenho filhos de 1, 4 e 7 anos, ", explicou a moradora do Jóquei.

O casal Joice Magalhães, de 22 anos, e Paulo Vitor Neviles, de 24, junto com os dois filhos faz parte das famílias que ocupam os 998 apartamentos e ainda passam por dificuldades pela falta de água, luz, alimentação e roupas.

"Estamos dependendo de doações, tenho dois filhos, um de 2 anos e outro de 1. Perdemos tudo e estamos desempregados, não temos um calçado, roupa e nem fralda para as crianças. O telhado da minha cozinha caiu, e é a quarta vez que chove assim lá, e dessa forma, minha casa foi condenada. Estamos aqui porque precisamos dessa moradia", declarou Joice.

Liminar - A liminar para a reintegração de posse dos imóveis foi expedida e a MRV Engenharia se reunirá com representantes da Caixa Econômica Federal e da Secretaria Estadual de Segurança para traçar o planejamento da desocupação. Segundo os desalojados, o documento foi entregue hoje (05), com o prazo de três dias para a retirada.

Procurada, a Caixa Econômica informou que a construtora e o banco já adotaram as providências legais para a reintegração de posse e a retomada dos empreendimentos, que tem previsão de cumprimento para o dia 10. A Caixa ressalta que busca sempre preservar o direito dos reais beneficiários, devidamente selecionados pelo município, de acordo com a regras do Programa Minha Casa Minha Vida.

"Ainda não é possível precisar a data de entrega dos empreendimentos, considerando que deverão ser avaliadas as reais condições das unidades após a reintegração da posse. A Caixa ressalta que as famílias que necessitarem deverão receber a assistência apropriada pelos Órgãos Municipais competentes", informou a nota.

Educação - Os profissionais da educação reivindicavam o aumento dos salários dos merendeiros e inspetores. Segundo uma das diretoras do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação/São Gonçalo (Sepe), Judy Helen Rodrigues, eles recebem abaixo do piso salarial, um valor de R$ 776 para trabalhar em horário integral. Além disso, o Sepe reivindica que os diretores das escolas sejam escolhidos através de eleições diretas e deixando de ser indicação política. 

A última enchente também causou estragos em muitas escolas e os professores alegam que até o momento a prefeitura não enviou equipes de limpeza. 

"Caiu o telhado do Colégio Municipal Presidente Castello Branco, no Boaçu, e a Escola Municipal Rotary está sem limpeza e em péssimo estado, os próprios professores estão realizando a limpeza", declarou a diretora.

Após reunião na prefeitura, ficou decido que será feito um estudo e haverá nova reunião na próxima terça-feira (12).

Fonte/texto/fotos via: Página Gonçalense