Vitória Jesus Silva, 11 anos, é deficiente visual e está matriculada no 5º ano da Escola Municipal João Cabral de Melo Neto, em Monjolos. Laís da Costa Muquiche, 13, tem síndrome de Down e é aluna do 3º ano do Colégio Municipal Presidente Castello Branco, no Boaçu. Larissa Marins da Silva, 13, também tem síndrome de Down e estuda no 5º ano do Colégio Municipal Estephânia de Carvalho, no Laranjal. Para atender melhor as necessidades dessas e de outras dezenas de crianças com deficiência e ajudá-las no seu desenvolvimento dentro e fora da escola, a secretaria de Educação de São Gonçalo fechou uma parceria com duas instituições de referência no município na área de atendimento à pessoa com deficiência: a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) e o Centro de Apoio ao Deficiente Visual de São Gonçalo (Cadevisg). Além das instituições conveniadas, alunos contam com o Centro de Inclusão Municipal (CIM).

Graças à parceria, alunos da rede são encaminhados para atendimentos educacionais especializados que vão desde acompanhamento com psicólogos e fonoaudiólogos até aulas de informática.

“Além de contarmos com professores de apoio, com o Centro de Inclusão Municipal (CIM) e as salas de recursos, realizamos essas parcerias que farão com que os estudantes tenham mais autonomia na escola e fora dela. Nas instituições, as crianças poderão ter acompanhamento pedagógico, de Saúde e Assistência Social. O Atendimento Educacional Especializado é fundamental para o desenvolvimento dos nossos alunos”, destaca a coordenadora de Educação Inclusiva do Município, Helen Silvia Ribeiro, responsável pela parceria.

Para o Cadevisg, no Porto Velho, são encaminhados os alunos com deficiência visual (cegueira e baixa visão) e deficiência múltipla (cegueira associada a outras deficiências). A instituição é especializada no atendimento à pessoas com Deficiência Visual. Lá, crianças como a Vitória, que nasceu cega e tem déficit cognitivo, fazem acompanhamento de psicomotricidade, fisioterapia, estimulação precoce, aulas de teatro, inglês entre outros.

“Pelo convênio atendemos questões pedagógicas. Todas as atividades são voltadas para o desenvolvimento ensino-aprendizagem, tanto no que se refere à parte sensorial quanto motora. Nos encanta a sensibilidade da secretaria municipal de Educação em fazer essa parceria. Estamos aqui desde 2008 e nunca tivemos esse trabalho conjunto. Muita gente olha para o deficiente intelectual, mas para o visual é difícil”, assinala a coordenadora técnica do Cadevisg, Garrolici Alvarenga.

Helen Ribeiro destaca que o aprendizado do deficiente visual está muito além do braile:

“O atendimento a esses alunos envolve muitos outros processos e estamos cada vez mais atentos a isso. A parceria com uma instituição especializada dá ao município um suporte maior para trabalhar com as crianças, além de ser muito importante para o desenvolvimento pessoal de cada uma delas”.

Na APAE, no Patronato, as crianças encaminhadas pelo município terão direito a três atendimentos, duas vezes por semana, no contraturno escolar. Para receber o grupo foram criadas as salas temáticas, onde serão realizadas oficinas de dança, informática, brinquedoteca de acordo com o interesse e a ambientação dos pequenos. Uma equipe multidisciplinar, incluindo fonoaudiólogos, psicólogos, neurologistas e outros profissionais, será responsável pelo trabalho.

“Essa parceria era um sonho para nós. Já atendemos alguns alunos da rede que chegavam por demanda espontânea. Mas eles só recebiam o atendimento de Saúde e de Assistência Social, agora, com o convênio, eles terão o suporte pedagógico com o AEE (Atendimento Educacional Especializado). Inclusive, temos a proposta de fazer um encontro pedagógico com os professores da rede para apresentarmos os recursos disponíveis, somar esforços e trocar experiências. O município de São Gonçalo deu um grande passo”, avalia a pedagoga Juliele Ferreira, coordenadora de projetos e ações pedagógicas da APAE São Gonçalo.

Fonte: Ascom
Autor: Jaciara Moreira
Foto: Girley Oliveira