Foto: Divulgação
Por Rafael Massoto
Essa linda saudação sempre usada no circos não é levada em consideração em São Gonçalo. O teatro municipal está aí pronto, e durante todo processo de construção sofreu inúmeros questionamentos, ainda sofre e sofrerá, pois é, de fato, necessário. Infelizmente não existe amparo de nenhum setor que possa, de fato, punir responsáveis de um possível superfaturamento que, em se tratando do governo passado, é bem provável. Se tivesse eu, competência pra tal ato, teria muito prazer de algemar e conduzir o prefeito do governo passado ao complexo penitenciário de Bangu. Não adianta dizer que o dinheiro utilizado não foi dinheiro público, pois a parceria foi feita com o que é público e tudo que for feito para o município é de interesse público, inclusive obras particulares que possam afetar o meio ambiente. 

Parafraseando o Eduardo Marinho, 'No Brasil, poder e público parecem não caber na mesma frase', mas aqui entra um porém muito particular, depois da construção consumada eu quero usufruir muito desse teatro, digo enquanto plateia, não é um teatro meu, é um teatro nosso, o nome do teatro é um bom nome. As pessoas que praticam arte tendem a querer mais, me incluo nesse querer. 

Nos meus dezessete anos de militância cultural na cidade o que mais sempre quis foi e é plateia de qualidade, que fornece a toda apresentação a energia necessária pra que tudo se torne mais lindo. Esse meu querer tem base e convicção em que tudo que trabalhei de evento nessa cidade foi coisa boa. Boa a que olhos? Perguntarão e eu responderei: aos meus olhos. Conheço o meu crivo e tenho respeito por ele, vejo a reclamação que o teatro é pequeno, mas a oferta de plateia nunca foi de fato um forte em São Gonçalo, então o primeiro passo é provar que precisamos de um teatro maior. 

Participei de uma conversa importante sobre a construção do teatro e grandes nomes fizeram a sugestão desse número de cadeiras pro teatro, então vamos seguir em frente com todos os questionamentos e com as inúmeras preocupações de como será a manutenção do teatro, etc. Se os postos de saúde são abandonados, a população é abandonada em diversos aspectos, completamente desassistida, punida com toda ausência do estado, tornando o teatro aos olhos da população algo secundário. 

Estamos em São Gonçalo, cidade complexa sob o ponto de vista do poder aquisitivo da população, pro consumo de arte então, particularmente, comemoro a construção do teatro e me preocupo demais com o todo da cidade, inclusive com o abandono do pouco aparato cultural que há na cidade.

Rafael Massoto é Poeta, Compositor e Produtor Cultural.