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Ontem meu amigo Valtinho Lins fez contato comigo pedindo liberação pra gravar uma música minha com Thiago da Serrinha. Prontamente fiz contato com o Thiago da Serrinha pra pedir a liberação dele. O Thiago liberou a gravação com alegria. O nome da música é "Pra quem possa duvidar".

O nome dessa música sempre me fez refletir no quanto há de dúvidas em relação ao futuro que a cada hora apresenta uma possibilidade. O que não pode ser feito é deixar de alimentar as chances de ser surpreendido pelo destino, pois o destino é um ajuste dos desejos e das ações com o tempo. O Valtinho Lins, como o seu nome artístico, insinua é da cidade de Lins, interior de São Paulo. Valtinho tem mostrado no decorrer da sua carreira que não há barreiras pra quem sabe sonhar de verdade conquistando seu espaço na serenidade de quem tem a música no interior e inteligentemente permite que o seu esforço receba respostas naturais do universo. Aliando com maestria o cotidiano das ruas com o mundo tecnológico tem de forma generosa disponível em seu site o seu disco "Momento Feliz". Existe uma distância considerável entre Lins e a capital, São Paulo, mas pra um sonho a distância não é nada.

Hoje o Valtinho mantém uma agenda regular com apresentações de pequeno e médio porte e são essas apresentações que alimentam a manutenção de uma realidade de colocar em movimento constante a sua carreira. O mundo da música exige que o artista vá atendendo às demandas, criando público, alimentando o público com músicas e, de forma comovente, tem a resposta do público cantando suas canções. Essa energia impulsiona o artista, o faz entender que qualquer esforço é pouco. Conquistar um público aumenta em muito a responsabilidade do artista que nota a importância do aprimoramento do trabalho em todos os aspectos, pois dando ao público o que se tem de melhor também se recebe o que o público tem de melhor pra oferecer. O artista e o público são feitos um pro outro e, nessa relação, quanto mais amor melhor. É essa relação sincera que ilumina os caminhos e cada artista sabe bem os percalços e as alegrias de sua caminhada.

Tenho a sorte de ser consultado pelo Valtinho Lins e também aprender com ele. Sou um compositor anônimo. Sou também um produtor anônimo, ainda não fui gravado por nenhum artista imensamente visível no cenário. Também ainda não produzi nenhum artista do grande circuito da música. Eu e o Valtinho somos equivalentes enquanto profissionais. Temos uma troca muito sincera na intenção que o trabalho de ambos avance casas no jogo. Enxergamos a mudança de fase em que vivemos. É tudo muito lento nessa jornada mas é nessa lentidão que mora a beleza. Apreciamos a paisagem de forma honesta, podendo ver cada árvore do caminho, podendo sentir cada gota de suor derramado em nome do sonho. Ao ver que o Valtinho vai adiante a cada dia penso no quanto é necessário ter a alma da música e pra quem possa duvidar o caminho é pessoal e intransferível mas é possível.

Por Rafael Massoto, compositor, poeta e produtor cultural.
Revisão de Texto: Prof. Edson Amaro.